Pequeno espaço com grandes idéias

Há alguns dias fui conhecer um local que seria um possível cenário para o terceiro editorial do semestre de uma disciplina. Pelo que eu soube era uma loja pequena com paredes coloridas (que tinha a ver com o conceito) e pronto. Para minha surpresa não era nada do que eu imaginava.

É uma loja com algumas paredes coloridas e pequena, sim, mas possui uma grandeza incrível apenas pelas idéias que se reúnem ali dentro. Em um grupo de 12 pessoas, a loja 55 é um espaço que possui diferentes produtos, feitos por diferentes pessoas que se uniram para ter um espaço para expor suas peças e, muito mais que isso, sua forma de pensar o consumo.

As marcas e grupos formados na 55 são:

Bem Ditas – Adriana Barreto, Bruna Mansani e Joceana Tamara

Acqua Pets – Eduardo

Ideia! – Andréia Filgueiras

Mandrake – Izabel Garcia e Lara Montechio

Miss Guadallupe Studio – Larissa Barboza, Letícia Barboza e Marcelo Wolff

Rosapingo – Ana Pi

Schildkröten – Joana Amarante

Os produtos são roupas de brechó e confeccionadas, bijuterias, bonecas de pano, encadernações, fotografias, objetos de decoração, livros, revistas e acessórios.

Fiz uma entrevista com três membros do grupo.  Ele possuem algumas críticas à fazer para a moda, quando fiz a última pergunta senti que tiveram certo receio de responder com sinceridade, mas conseguiram expressar o que pensavam e isso é o que importa. Nesses momentos é que percebo o quanto a moda é mal vista e como as pessoas que a representam passam uma imagem tão triste e superficial da moda.

Como vocês definem esse espaço? 

Bel: Eu gosto de chamar de coletivo multicultural.

Larissa: Para mim é um espaço de criadores.

Como surgiu a idéia de montar o grupo?

Bel: Pelo desejo de ter um espaço para expor. Várias coisas aconteceram ao mesmo tempo para surgir a idéia da 55. Nós, do Mandrake, começamos expondo na Feira da UDESC e deu muito certo, as pessoas gostavam, se relacionavam com a peça. Mas era ruim não ter um local fixo, não ter uma referência para as pessoas que gostavam. Na feira conhecemos as meninas do Bem Ditas. Depois a feira fechou, a Adriana voltou de uma viagem do exterior com muitas idéias e com vontade de colocá-las em prática, então nos juntamos com as meninas do Bem Ditas e fomos buscar pessoas que topassem entrar nessa com a gente. Mas a maioria tem muito medo, um monte de gente que chamamos não aceitou. Alugar um local e realmente colocar tudo em prática é muita responsabilidade. No fim, conseguimos juntar um número bom de pessoas.

Como é feita a organização do grupo? Existe alguma liderança? 

Bel: Não, é tudo por votação, inclusive para escolher as cores das paredes nós sentamos juntos e votamos. 

Como é lidar com tantas pessoas e atividades diferentes? 

Bel: A nossa maior dificuldade foi unir os brechós com a confecção Miss Guadallupe Studio. Primeiro por que a diferença de preços é muito grande e as pessoas não entendem o trabalho de confeccionar as próprias peças. Ao mesmo tempo, querem pagar muito pouco pelas peças dos brechós pelo preconceito que existe com esse tipo de roupa. 

O que vocês pensam da moda? 

Marcelo: Odeio o que as revistas de moda fazem, de impor uma tendência. Nessa estação você TEM que usar calça skinny, mas na outra é calça boca de sino.

Bel: Moda é um termo muito amplo. Para mim é um mercado destrutivo no qual as regras e normas são para apenas 2% das pessoas, o resto não se encaixa. A moda deveria ser uma maneira de exteriorizar o que somos, onde uma pessoa pudesse se encontrar e dizer: “Isso é a minha cara!”

É como se fossemos personagens, cada dia estamos de um jeito diferente, entro naquela personagem que tem a ver com o meu humor. Por isso, eu tenho vontade de vender para pessoas que realmente se identifiquem com as peças. A pessoa tem que ser o que ela está usando. Na moda, a regra se torna obrigação, mas eu não quero participar da massificação, da futilidade.

Terminamos a entrevista e conversamos sobre várias outras coisas. Foi delicioso entender a maneira de pensar desse grupo tão diferente e cheio de novas idéias. Espero que sirva de despertar para todas as ‘desculpites’ que nos impedem de colocar nossas idéias em prática.

Localização:
Travessa Osmar Regueira, 25
Centro – Florianópolis/SC

Horário de atendimento:
2ª a 6ª das 10h às 21h
Sábado das 10h às 13h

Contato:
(48)3024.0851
lojacincocinco@gmail.com

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4 thoughts on “Pequeno espaço com grandes idéias

  1. é difícil. moda é tantas vezes confundido com tendência. “o que está na moda” e não “o que a moda é ou faz ou como se reflete no que vemos.” a moda não está antes dos indivíduos e sim, depois, como consequência deles em meio à sociedade e outros fatores.

    pode ser estético, visual, e não necessariamente cair no supérfluo.

    moda pode ser abertura e não barreira.

    e por último e não menos importante: moda não é “a roupa que você usa”.

    as mesmas discussões de sempre, mas sempre com tanto preconceito, né? será que isso muda, ju?

    a gente segue mesmo assim, né. é ótimo falar disso, mesmo já sabendo o que vamos ouvir. haha, bisous.

    • É, são sempre as mesmas discussões…mas é interessante falar com pessoas que trabalham com moda de uma maneira ou de outra e saber o que elas pensam, estando fora de uma universidade e não tendo passado pelas coisas que passamos no decorrer de um curso de moda. Nós sabemos que a imagem passada para elas é essa, fazer o que, né?

      Quantas vezes a gente não ouve pessoas perguntando absurdos só por que fazemos moda? Me parece que se moda não se chamasse moda, ela poderia ser explicada de outra maneira, mas essa visão está muito enraizada nas mentes das pessoas…não é fácil modificar isso. Por isso, quando encontro alguém com esse pensamento tento conversar, expor o que penso e como nós que estamos ali dentro entendemos moda de um jeito completamente diferente.

      E as pessoas ficam maravilhadas quando alguém fala esse tipo de coisa, por que nunca ouviram nada assim. Por que ligam a televisão e a ‘moda’ que se mostra ali é como você vai usar uma calça boyfriend nessa estação…blá blá blá. E as pessoas tem orgulho de entender moda desse jeito…e é por isso que estamos aqui Juh, pra tentar mudar um pouquinho isso, nem que seja apenas para as pessoas com quem temos contato no nosso dia-a-dia, se elas já modificarem essa visão a partir do que nós passarmos para elas já estarei muito feliz!

      • Olá meninas! Que bacana a conversa sobre a Cinco Cinco! Ficamos contentes em colocar as idéias em movimento, inclusive por poder parar um pouco os afazeres para a reflexão. As correrias da vida prática, as vezes, realmente consomem com esse movimento também tão importante. Nesse sentido gostaríamos de dar uma contribuição…

        Pensamos que moda no sentido mais superficial do termo não precisa se restringir à roupa que a gente usa, mas também, muitas vezes, ao que a gente pensa, vide as imposiçoes e vícios da academia, que comumente sai a campo, tão somente para confrontar ou reafirmar uma teoria de ponta.
        Quem compõe o campo, acaba por formular seu discurso a partir das experiencias que o dia-a-dia tras, percebemos que camadas de complexidade se sobrepõe aí, antes que a crítica se interponha pela falta das terminologias corretas e mais badaladas do momento.

        Valorizamos a diversidade, não apenas em produtos, mas também de discursos. É por isso que nosso coletivo é possível enquanto BEMDITAS, e também como uma das marcas participantes da 55. Pela mesma razão valorizamos muito também a conversa sobre a loja realizada por vocês! A troca de idéias é sempre muito rica.

        Sobre nossa participaçao na 55 majoritariamente como brechó, percebemos que existe o reaproveitamento e a criação, coabitando no mesmo espaço, sendo oferecido à público. Ao mesmo tempo, incentivamos a criação particular de quem frequenta o espaço. Cada um é livre para se tornar um criador a partir do que está exposto não apenas na vitrine, mas na vida. Nao existe originalidade nisso, apenas seguimos ‘tendência’ do momento em que vivemos. Não nos sentimos representantes de bandeira nenhuma, podemos dizer que somos consequencia de um espaço multiplo, que por si, não possui voz única e sim pontos de vista sempre expostos e respeitados.

        No mais, somos bem delumbradas com tudo o que acontece a nossa volta, valorizamos as produções do meio, o que contempla a produçao dos amigos, dos futuros amigos, das parcerias em diversas áreas, enfim, parabéns pelo blog de vocês!

        Todas essas conexões nos engrandece, fortalece e nos faz aprender sempre mais.
        Grande abraço,
        BEMDITAS

      • E por isso tudo que falaram que fomos conferir de pertinho o trabalho de todo esse grupo. Por ser mais que um mero discurso com pensamento restrito e superficial. E nós não pensamos muito diferente de vocês, nós também não acreditamos em moda como roupa, tanto que vocês podem dar uma vasculhadinha no blog e verão que existe muito mais que isso, apesar de estar meio desatualizadinho pela falta de tempo, hehehe. A única questão é lembrar que a moda é representada de maneira fútil pelas pessoas que estão na mídia e nos veículos de informação da massa, mas que, na maioria das vezes, quem está por trás de todo esse bolo de superficialidade, pensa como nós, de um jeito completamente diferente. Obrigada pela participação meninas! Refletir sobre essas questões nunca é demais. Beijos!

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