Direto de Paris

Post convidado aqui no blog, escrito por Ralf Collete direto de Paris! Consultor de moda, trend-hunter, especialista em psicologia do consumidor e professor. 

Le grand carrousel de Marc Jacobs pour Louis Vuitton. The great carousel Marc Jacobs for Louis Vuitton.

O mês da moda chegou ao fim e sem dúvida acredito que todos podemos concordar que foi uma maratona, e especialmente emocionante como poucas. Depois dos agitos de Nova York, Londres, Milão terminei minha maratona em Paris. Desculpe, meus amigos, mas nada se compara a Paris. Este post é especial para um blog especial, o  The Big Fashion Theory e como a Juliana me pediu, vou escrever sobre o momento que mais me emocionou e chamou minha atenção na semana passada em Paris.

De todos os desfiles que participei (e olha que foram muitos!), escolhi um clássico. Talvez não tenha sido o mais revelador, para muitos críticos de moda, porém para mim, representou a importância deste designer para o mundo da moda e seu desfile tem algo que me lembrou do blog, e de Florianópolis. E tudo indica que foi o último de Marc Jacobs para a Louis Vuitton.

Esta semana de moda em Paris, começou com uma sensação de perda, de ausência, de que algo estaria incompleto, afinal, todos sabíamos que não teríamos a genialidade de Galliano para nos entorpecer, mas chegamos ao final quase que nem sentindo a falta do gênio fashion.

Depois de seis anos assistindo todos os desfiles que a grife faz, a imagem mais tocante foi ver o quanto Marc Jacobs, representa para a Louis Vuitton, se esta é a sua última coleção com a marca, como se diz, ele sai mostrando que é o único capaz de incorporar o DNA da Dior e comandar esta casa com maestria. Sem dúvida o estilista mostrou o conjunto mais elaborado da temporada. Marc Jacobs tem o seu mundo. Como Chanel, como Miuccia Prada. No desfile da manhã de quarta-feira, havia uma vaga lembrança de uma proposta do grande Karl, assim como as bolsas sendo seguradas “na mão”, nos remetia a Prada. Porém essa reminiscência imediatamente aparente, talvez com uma breve semelhança, é apagada pelo conjunto da obra, com uma assinatura impecável de seu criador.

É difícil descrever a coleção como outra coisa senão encantadora e bela, especialmente quando se considera que o conjunto inclui um carrossel completo com 48 cavalos brancos em que cada uma das modelos estavam inocentemente “acomodadas”. Impecavelmente na hora (algo raro ultimamente nos desfiles), a cortina rosa-branca, foi abrindo em uma arena circular mágica. Em cada pequeno cavalo de madeira pintado de branco, estava uma modelo e sua bolsa, um carrossel mágico, tudo é belo. Do palco, pudemos observar os rostos corados num tom rosa, meninas de cílios postiços, Cores de doce, doce de marshmallow e algodão. Absolutamente incrível, adorável. Fui pego pelo encanto destas mulheres jovens, cobertas por renda ou de renda azul bebê, rosa, suas grandes saias montadas em uma organza acinturada. Meninas de cabelos puxados, sabiamente argumentando com um terno muito doce ou em um vestido de couro branco perfurado. Casaco amarelo banana, dá até para sentir o macio, com escamas escovadas para um acabamento aveludado. Na sequência, aparece um conjunto organza branco sobre branco. As novas bolsas, em couro perfurado como havia na década de 80, aparecem em uma versão diferente, com interior em tecido metálico. Um sonho, uma delícia. Perfeito nas cores, do leite batido, crocodilo pastel, de couro branco. Para Jacobs, luxo tem um lado calmo. Vemos, também, uma bolsa feita de cascas de ovos quebrados, 12.500 peças, para ser exato, como Jacobs nos confessou no backstage: “a coisa mais extraordinária que já fizemos”. O casaco de tweed com penas colorido.

Em meio aos de tons de açúcar, a verdadeira beleza da coleção foi a de que, ao contrário do “pretty princess”, os vestidos que vimos em varias coleções na Louis Vuitton, houve um ‘up’, algo que podemos chamar de “elegância dos inocentes”, termo que escutávamos muito após o desfile, parece apropriado – para não mencionar o nível de habilidade complexa (os apliques de flores). Entre as criações o destaque foi um corte de vestido floral, com painel lateral através do qual se podia ver os braços da modelo cortado por rendas.

Ao final temos o Carrossel Vuitton rodando vazio, fico na ansiedade, na certeza de que ao retorno das modelos teremos uma reação de final apoteótico. Porém, não, o carrossel gira, mas sem modelos. Único a aparecer, Marc Jacobs passa rapidamente. Final de festa, a magia acabou. Me levanto como todos, relutante em acreditar que o sonho acabou, será mesmo o Fim? Difícil de acreditar, o que posso realmente afirmar é que depois de tudo, Jacobs nos provou que é digno de dirigir a casa Dior, e que fará falta na Louis Vuitton. Faltou você aqui, Juliana, você iria adorar.

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