Olimpíadas 2016 – por Patrícia Lima

A Diretora e Editora-chefe da Catarina Coletivo Criativo, Patrícia Lima publicou em seu blog um questionamento muito importante sobre a cultura brasileira e o que poderá acontecer nas Olimpíadas 2016, após nossos oito minutos em Londres. Resolvi reproduzir o post aqui, pois acredito que é objetivo e gera uma discussão muito importante.

“Brasil nas Olimpíadas 2016: orgulho ou vergonha?”

Estou impressionada com o amor e o ódio que a apresentação brasileira em Londres causou na população. As redes sociais estão aí para comprovar o enorme debate sobre o tema, no facebook só se falou sobre isso no domingo à noite. Instagram foi outro bom termômetro para o debate. Há que tenha se emocionado com a apresentação e há quem ficou morrendo de vergonha dos oito minutos de brasilidade no estádio olímpico. A pergunta que fica no ar é a seguinte: “ Não gostaram da forma de apresentação das nossas características ou tanta critica vem da vergonha de nossas raízes que fica exposta nesses momentos?”

Acredito que muitos não dediquem algum tempo da sua vida refletindo sobre nossa verdadeira forma de ser. O que o Brasil representa para cada um de nós? Como pode alguém assistir e gostar do retorno (momentâneo) das Spice Girls e depois criticar nossa participação? Vergonha não são os indios e sim os passeios de carro sem criatividade no encerramento londrino. Gostei demais da abertura e também do encerramento, mas gostei porque sou musical, me envolvi com todas as trilhas apresentadas, mas senti uma cenografia “magra” e simples demais, sinto desejo de algo a mais, que não encontrei na apresentação inglesa.

A tal criatividade brasileira terá que ganhar força até 2016, porque se a criatividade referência é o Carnaval, tenho certeza de que podemos ir muito além disso tudo. Ouvi amigos comentarem que o Brasil não é um só e que características do Sul do país também deveriam aparecer para mostrar nossa diversidade, concordo, porém imagino a dificuldade em apresentar o Brasil para o mundo em oito minutos. Para aqueles que criticam, vale retornar a pergunta: “ o que VOCÊ faria em oito minutos?”

Nos nomes envolvidos na apresentação entre figurino, cenografia e imaginário estão Daniela Thomas, Cao Hamburguer e  Jum Nakao, que na minha opinião, é uma das mentes criativas mais brilhantes que temos no Brasil. E com certeza é um dos nomes com competência para criar essa imagem brasileira, já que conhece o Brasil de ponta a ponta e valoriza todas as formas de cultura local. Daniela também é uma grande referência nacional de criatividade e bom gosto. A cenógrafa que é conhecida no meio da moda por sua contribuição nas edições do São Paulo Fashion Week. Não acho que todos tenham que gostar do que foi apresentado, pelo contrário, só gostaria de entender melhor se temos vergonha de ser quem somos ou apenas criamos a expectativa de um novo olhar para o Brasil, com menos clichês e  deixando para trás a imagem de violência e pobreza que está atrelada ao nosso país. No final da história o resultado que ganha a real importância é a alegria que exportamos para o mundo, essa é a bandeira que devemos vender sempre e mais. Porque em um mundo cinza e em crise, o Brasil ganha de goleada nesse quesito. Precisamos saber aproveitar esse produto que anda escasso no mercado internacional e virar a nosso favor essa linguagem universal.

E vocês, o que acharam da apresentação e desse debate todo?

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One thought on “Olimpíadas 2016 – por Patrícia Lima

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