Mais oito minutos! Brasil e as Olimpíadas 2016

É claro que já ouvimos o suficiente sobre os tais oito minutos brasileiros no encerramento das Olimpíadas de Londres, mas depois de publicar o post da Patrícia aqui no blog, quis expor também a minha opinião, principalmente depois de ver os comentários sobre o assunto mais de perto.

Foi então que comecei a ficar um pouco revoltada. O post anterior veio como uma maneira de ouvir e entender melhor quem concordou ou discordou da apresentação e a Patrícia conseguiu fazer isso muito bem. Mas eu realmente não consigo ouvir/ler certas coisas e ficar calada, ainda mais quando não existe fundamento algum para tais comentários.

“Como pode alguém assistir e gostar do retorno (momentâneo) das Spice Girls e depois criticar nossa participação? Vergonha não são os indios e sim os passeios de carro sem criatividade no encerramento londrino.”

Essa é uma das partes mais interessantes do texto, pois resume tudo: as pessoas adorando ver Spice Girls, para depois falarem mal do maracatu, ou dos índios, como se elas fossem culturalmente mais importantes. Ah, mas os clichês!? E os clichês Londrinos? São melhores por serem de outra cultura? Porque uma coisa é falar mal tendo um motivo concreto, uma base que complete essa ideia, outra, completamente diferente, é falar da boca para fora, sem nem mesmo analisar o contexto e criticar mais por ignorância que por qualquer coisa.

Clichê mesmo é criticar a cultura brasileira, uma classe média e alta que está acostumada a olhar para suas raízes com desprezo. Que por ter acesso a educação começou a negar sua relação com nossas raízes africanas e indígenas e que acha que ser representado por um gari é vergonhoso. Isso sim é clichê e já passou da hora de mudarmos esse pensamento fechado.

Sabe como deveria ser? Deveríamos nos orgulhar de sermos representados por culturas tão diferentes umas das outras e que encontraram aqui, no Brasil, uma maneira de se complementarem, se unirem e se transformarem nessa imensidão de referências que temos a nossa disposição. Deveríamos saber aproveitar um pouquinho disso tudo sem discutir se a Olimpíada é do Rio de Janeiro somente, ou se ela é do Brasil inteiro. Talvez, se o dinheiro viesse só do bolso dos cariocas que possuem esse tipo de pensamento, eles sentissem mais vontade de ser brasileiros. Não estou falando de ir jogar capoeira e dançar samba no meio da rua, mas do mínimo de respeito que devemos ter com nosso próprio país.

É importante refletir, por exemplo, sobre um francês como o Bruno Pellerin que vai morar no norte do Brasil e vê tantas maravilhas culturais, enquanto o próprio povo brasileiro fica discutindo sobre qual cultura deve ser representada, a do nordeste ou a do sudeste, como se fossem países diferentes. Esse tipo de atitude só reflete todos os problemas nacionais e o motivo deles existirem, cada um pensa apenas no que “me” representa acima de tudo, não precisa (ou mesmo ‘não deve’) representar fulano ou beltrano, tem que representar a MIM, assim fico satisfeito. Isso sim é vergonhoso.

Sinceramente, esse não é o Brasil no qual eu vivo. Meu Brasil é o mesmo do Sorriso, é o do samba, do maracatu, de Iemanjá, de Marisa Monte, de Jum Nakao, de cores vivas. E é bom saber que nós não somos minoria.

Por fim, preciso concordar com a Patrícia mais uma vez, pode ser ainda melhor, pode representar ainda mais e a criatividade pode ser o principal movimento de 2016. Mas para os oito minutos e para dar um gostinho de quero mais, já foi ótimo!

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