O circo da Moda pegando fogo

O assunto surgiu há quase dois meses, mas resolvi comentar sobre ele só agora. Vamos lá que o papo é longo!

Como a maioria já sabe, durante as semanas de moda européias algumas questões sobre blogs e street style ressurgiram em meio ao círculo de pessoas que estão focadas nesse mundo. O primeiro texto publicado sobre o assunto foi o da renomada editora Suzy Menkes, intitulado “The Circus of Fashion” (O Circo da Moda), a partir dele, vários adendos foram feitos por meio de respostas de blogueiras ou jornalistas concordando, discordando e dando suas próprias opiniões sobre o tema.

A jornalista começa seu texto relembrando como eram os desfiles de moda nos anos 1990, quando os espectadores se vestiam quase sempre de preto e eram chamados de “black crows” (corvos negros), como podemos ver, não é o que ocorre hoje em dia. Em suas palavras: “Today, the people outside fashion shows are more like peacocks than crows” (Hoje, as pessoas do lado de fora dos desfiles de moda são mais como pavões que corvos.), isso não é difícil de perceber se procurarmos os blogs e sites de street style durante as fashion weeks, na verdade, é o que mais se encontra: pessoas como Anna Dello Russo se exibindo na frente das inúmeras câmeras com as roupas mais extravagantes que conseguiram encontrar naquele dia.

17look-menkes-slide-5Q90-tmagArticle

Suzy Menkes comenta sobre como os desfiles estão tendo que competir com o que ocorre fora deles, com todo esse circo que transformou as semanas de moda em palcos de exibição individual, onde cada um quer chamar mais a atenção dos fotógrafos. Fotógrafos esses, muitas vezes amadores, sem senso artístico, que imitam grandes nomes como Scott Schuman e Bill Cunningham, mas não conseguem chegar nem perto de seus olhares talentosos, que enxergam muito além de imensos saltos e grandes ombreiras.

E para atrair as câmeras, as pessoas deixam de se vestir para si mesmas, para se expressar e passam a fazê-lo única e exclusivamente para aparecer. A jornalista explica, então, que existe uma enorme diferença entre estilo e exibicionismo, o primeiro nos torna únicos, enquanto o segundo produz um número incontável de it girls vestindo as mesmas coisas, usando as mesmas maquiagens e saindo para os mesmos lugares.

Quando as marcas descobriram a força desses meios de comunicação, como foi o caso de Marc Jacobs, quando nomeou uma bolsa em homenagem ao blogueiro Bryanboy, os blogs passaram a ser controlados pelo dinheiro. As opiniões são, agora, reflexos de presentes e mídia kits, claro que sem generalizar, afinal, existem blogueiros sérios que buscam se identificar com os produtos antes de divulgá-los e deixam claro aos leitores que estão fazendo publicidade, mas infelizmente, são ainda, uma minoria.

17look-menkes-slide-EYFD-tmagArticle

A partir de então, a crítica de moda passou a ser feita por meio de achismos individuais, banhados por patrocínios. Como Suzy Menkes deixou claro, isso é o oposto de um dos princípios do jornalismo e da crítica sérios: “You like it because it’s good, it’s not good because you like it” (Você gosta porque é bom, não é bom porque você gosta). E dessa forma, grande parte dos blogs são fontes de conteúdo zero, sem sentido, que não dizem nada relevante ao leitor. Como exemplo disso, é só visitar o blog “Shame on You, Blogueira” para ver a quantidade de conteúdo inútil, repleto de erros inacreditáveis que a titia Shame encontra na blogosfera, em blogs de meninas que dizem e realmente acreditam estar falando sobre moda.

Suzy Menkes finaliza com imagens de mulheres que fazem o oposto de tudo que foi aqui discutido e que nem por isso deixam de ser verdadeiramente estilosas. Emmanuelle Alt, Virginie Mouzat e Ludivine Poiblanc, francesas que entendem de moda e não precisam se fantasiar para chamar atenção. Só para deixar claro, não acredito que todas as pessoas que se vestem de maneira inusitada querem necessariamente aparecer, dois exemplos são Susie Bubble e Tavi, vejo nelas autenticidade e não vontade de atrair fotógrafos.

17look-menkes-slide-LY5T-blog480

Depois dessas discussões surgiu o vídeo “Take My Picture” (Tire minha Foto) produzido pela Garage Magazine com argumentos muito parecidos com o texto da jornalista.

Vale destacar algumas partes do vídeo, como quando o jornalista de moda Tim Blanks lembra que hoje, todos temos nossos facebooks, blogs, nossas vidas estão expostas e nós podemos fazer parte de todo o processo, isso nos dá certo poder, mas como ele afirma é um poder como o dos reality shows, nos quais as pessoas são famosas apenas por serem famosas, não por agregarem algo à sociedade. Em suas palavras: “It doesn’t make gods, it makes monsters” (Não cria deuses, cria monstros).

Talvez todos esses movimentos venham para modificar tal situação. Não que a moda deva ser algo engessado, sério demais, rígido, afinal é uma forma de expressão e deve ser algo divertido e estimulante. Mas isso não significa falta completa de seriedade, talvez os extremos devam ser deixados de lado, o equilíbrio entre esses dois pontos pode ser muito mais interessante. A pergunta no final do vídeo é ótima para esse momento: “What happens next?” (O que acontece depois?)

Para ler mais:

FFWJulia Petit, Trendcoffee

Anúncios

4 thoughts on “O circo da Moda pegando fogo

  1. Pingback: Links #7 | The Big Fashion Theory

  2. Pingback: As consequências do Circo da Moda | The Big Fashion Theory

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s